sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Curiosidade - Quanto Menos Dormimos, Mais Sonhamos

Sonhos são absurdamente persistentes. Perca algumas horas de sono e o seu cérebro irá computar que você está devendo sonhos – e vai querer acertar as contas assim que você fechar suas pálpebras.

“Quando alguém não dorme o suficiente, o sono se torna mais intenso, o que significa uma grande atividade cerebral durante o sono; os sonhos se tornam mais numerosos e mais vívidos” diz o neurologista Mark Mahowald, da University of Minnesota, e diretor do Minnesota Regional Sleep Disorders Center, em Minneapolis.

Este fenômeno é chamado de rebote do sono REM. O REM ou “rapid eye moviment” (movimento rápido dos olhos) se refere aos movimentos rápidos e bruscos dos olhos enquanto estamos dormindo. É o estado em que sonhamos mais intensamente e nossa atividade cerebral é misteriosamente semelhante àquela quando estamos despertos. Ao mesmo tempo, nossa musculatura fica inativa e nós nos encontramos paralisados. O dedão pode até sacudir, mas basicamente não podemos nos mover, uma vez que o cérebro protege nosso corpo para que ninguém tente colocar na prática aquilo com que está sonhando.

O sono está dividido em REM e quatro estágios não-REM, cada um com uma freqüência distinta de atividade cerebral. O primeiro estágio não-REM é o período inicial em que o indivíduo não está nem dormindo, nem acordado e que às vezes é interrompido por uma sensação de estar caindo em um buraco. No segundo estágio, o cérebro diminui o ritmo e mantém apenas algumas atividades. Nos estágios três e quatro o cérebro praticamente desliga e entra em um período de dormência durante o qual as freqüências cardíaca e respiratória diminuem dramaticamente.

Só depois de 70 minutos de sono não-REM é que entramos no primeiro período de REM, que dura apenas cinco minutos. O ciclo não-REM é de mais ou menos 90 minutos. O padrão se repete em média cinco vezes ao longo da noite. Mas conforme a noite vai passando, os estágios REM aumentam e os não-REM diminuem, resultando em um período de 40 minutos de sonho, pouco antes da hora de despertar.

É claro que a privação da fase REM e seu subseqüente rebote são muito comuns também fora do laboratório. O álcool e a nicotina têm a capacidade de suprimir a fase REM. Remédios reguladores da pressão sangüínea, assim como antidepressivos, também são conhecidos supressores de REM (sem sonhos, a depressão curiosamente desaparece). Quando os pacientes suspendem os medicamentos, são recompensados com um rebote assustador.

Porém, a persistência do sono REM nos leva a uma nova questão: pra que insistir tanto? Quando ratos ficam sem a fase REM por quatro semanas, acabam morrendo (a causa da morte permanece desconhecida). Mesmo passando um período equivalente a 27 anos sonhando, durante toda a nossa vida, os cientistas ainda não chegaram a um consenso para as razões de sua importância.

“O cérebro é um órgão interpretativo, e quando as regiões estão menos conectadas, como durante o sono, temos sonhos bizarros” ele explica. Mas qual é o propósito? “Para isso temos que nos perguntar qual é o propósito do pensamento. Não podemos responder uma pergunta sem responder a outra”.

Fonte: www.uol.com.br
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