sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Curiosidade - Acordar um Sonâmbulo Pode Matá-lo?

Pelo contrário, despertá-lo pode salvar sua vida
Os sonâmbulos fazem as coisas mais estranhas. Há histórias daqueles que saem de casa só com a roupa de baixo, ou que se levantam para cozinhar e depois voltam para a cama sem nem mesmo provar a comida. Um aviso sério muitas vezes acompanha esses relatos: acordar um sonâmbulo pode matá-lo! No entanto, as chances de se matar alguém com esse problema com o choque do despertar repentino são tão grandes quanto a de alguém morrer ao sonhar com a morte.

Embora seja verdade que acordar um sonâmbulo, especialmente à força, pode estressá-lo, pensar que alguém poderia morrer por causa de um choque como esse é uma crença totalmente falsa, diz Michael Salemi do Centro Califórnia para Distúrbios do Sono. “Você pode assustar um sonâmbulo, e ele pode ficar muito desorientado e ter reações violentas ou confusas, mas nunca ouvi falar de nenhum caso documentado de alguém que tenha morrido ao ser despertado”. O perigo do sonambulismo está mais ligado àquilo que o sonâmbulo pode encontrar ao sair por aí em seus devaneios noturnos.

O sonambulismo faz parte de uma categoria maior de distúrbios relacionados ao sono, conhecidos como parassonias, incluindo terrores noturnos, distúrbio de comportamento do sono paradoxal, síndrome das pernas inquietas e sonambulismo. Para a maioria das pessoas, o sonambulismo consiste de atividades corriqueiras como sentar-se na cama, andar a passos lentos pela casa e vestir-se ou tirar a roupa. Uma minoria manifesta comportamentos mais complexos, como preparar refeições, fazer sexo, pular janelas e dirigir – enquanto na verdade ainda estão dormindo. Esses episódios podem durar alguns segundos ou se estender por 30 minutos ou até mais.

“O sonâmbulo está meio dormindo e meio acordado”, afirma Carlos Schenck da University of Minnesota, “O cérebro produz ondas delta e teta, o que demonstra realmente que a pessoa está em um estado de atividade noturna”. Normalmente o sonambulismo ocorre durante o terceiro e o quarto estágio do sono não-REM, os estágios mais profundos, caracterizados por um sono de ondas baixas, ou delta, e pouco sonhos ou nenhum.

“As crianças têm uma propensão maior ao sonambulismo”, diz Schenck, “Se uma criança é sonâmbula, acordá-la 45 minutos depois que ela foi dormir pode interromper o ciclo. Em geral, acalmá-la e levá-la de volta para a cama é a melhor maneira de lidar com a situação”. Até 17% das crianças têm pelo menos um episódio de sonambulismo. Eles atingem seu pico durante os 11 e 12 anos de idade e então diminuem durante a adolescência. Apesar de ser mais raro entre os adultos (2,5% da população), esses casos podem ser causados por estresse, falta de sono ou sono irregular.

Mesmo assim, mais complicado que um passeio noturno ocasional é o perigo potencial causado pelo sonambulismo. “Os sonâmbulos podem se ferir ou machucar outras pessoas e manifestar comportamentos altamente complexos, como dirigir longas distâncias ou agredir alguém com violência,” diz Schenck.
Ele conta a história de Sandy, uma adolescente delicada, que arrancou a porta de seu quarto durante um dos episódios. Ela foi incapaz de demonstrar a mesma força quando acordada. Um outro rapaz dirigiu loucamente para a casa de seus pais a 16 quilômetros de distância. Ele acordou com o barulho de seus próprios punhos batendo à porta da frente. Em casos dramáticos como esses, os médicos prescrevem benzodiazepinas para acalmar a atividade noturna dos pacientes.

No entanto, o sonambulismo em geral é uma ocorrência pouco freqüente, e a forma mais fácil de lidar com ela é levar o sonâmbulo pelo cotovelo de volta para a cama. Mas há uma advertência final: se os espectadores ainda estiverem se divertindo com o episódio na manhã seguinte, podem acabar rindo sozinhos. A memória dos sonâmbulos cochila durante o episódio – e não registra o acontecido.

Fonte: www.uol.com.br
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